terça-feira, 9 de março de 2010

Ladrões de Almas.

Na penumbra das vazias e estreitas ruas, a pequena Lilith andava nervosa, sobressaltada, olhando o tempo todo para trás. Uma sombra inesperada fazia com que as veias se contraíssem e o corpo gelasse. As malditas ratazanas faziam o coração disparar sempre que cortavam o seu caminho. A única luz vinha de lamparinas através das janelas dos velhos prédios. Das mesmas janelas, ouviam-se vozes, vidros que se quebravam, portas que batiam. A vida no interior das casas, porém, não atenuava em nada a tensão causada pelo deserto das ruas. A qualquer esquina, Lilith sabia que poderia encontrar um dos Ladrões de Almas, criaturas da noite, demônios de cara grotesca e de olhos vermelhos que sorviam a alma de quem encontrassem. As vítimas tornavam-se mortos-vivos que vagavam sem destino até serem recolhidos pela polícia. Uns diziam que os corpos sem alma eram mandados para o hospício, outros diziam que eram queimados, mas este era um segredo que só as autoridades conheciam. Um bêbado, surgido de um beco, fez com que Lilith soltasse um grito alto. O pobre ébrio não teve reflexos para resistir e ainda tentou lutar, mas a pequena Lilith, ao mesmo tempo em que ficou com a cara desfigurada, adquiriu uma força descomunal. Agarrada à cabeça do homem, a menina ignorava os socos e sugava, através dos olhos do desgraçado, uma espécie de energia em forma de luz azul pálido. Em casa, a mãe de Lilith, preocupada com os perigos da noite, rezava para que nada de mau acontecesse à filha.

2 comentários:

Paulo Stenzel disse...

"Ladrões de almas" foi escrito ao som de "Behind Blue Eyes" - The Who.

Nuno Guronsan disse...

Optimo regresso. Confesso que já tinha saudades da minha dose de Morte Rápida... :))

Abraço.